quinta-feira, 21 de maio de 2009

Carinhosamente para Camilla Rodrigues e Nuni Vieira

"Cristophe voltou sozinho dentro da noite. Seu coração cantava: 'Tenho um amigo, tenho um amigo!' Nada via. Nada ouvia. Não pensava em mais nada. Estava morto de sono e adormeceu assim que se deitou. Mas durante a noite foi acordado duas ou três vezes , como que por uma idéia fixa. Repetia para si mesmo: 'Tenho um amigo', e tornava a adormecer."

Os amigos são para a vida toda ainda que não estejam conosco toda a vida.
Se alguém desaparece por semanas, imediatamente se conclui que ele ficou chateado por alguma coisa. Diante de ausências mais longas cobramos telefonemas, visitas ou mensagens. Logo já está se falando mal dele. Logo dele que nunca fez nada de errado!
Assim como os amigos imaginários da infância, existem os amigos invisíveis da maturidade. Aqueles que nem sempre estão perto mas sempre dentro. Amigos mesmo, que modificam nossa história, chegam a combater pela verdade e discernimento, capazes de brigar com a gente pelo nosso bem estar. Eles me ajudaram e não precisam atualizar o cadastro para que sejam lembrados. Ou passar em casa todo o final de semana. Ou me convidar para ir ao cinema e ao teatro. Caso os encontre, haverá a empatia da primeira vez, a empatia da última vez, a empatia incessante de identificação.

Amigos me salvaram da fossa, amigos me salvaram das drogas, amigos me salvaram da inveja, amigos me salvaram da precipitação errada, amigos me salvaram das brigas, amigos me salvaram de mim.
Podem não estar na minha frente, mas sempre na personalidade, me determinando e me dando prazer em ser submissa de modo imperceptível.

Quantas juras de inseparação foram feitas em bares ou em festas a amigos bêbados e trôpegos?

Amigo é o que fica depois da ressaca. Glicose no sangue. A serenidade.

Festival de música - UFMG - 05/2001

Um comentário:

camilla disse...

Biiiia, qe coisa mais maravilhosa! mais linda, mais perfeitaa! aaah, qe saudade, qe saudade! como eu sinto faltaa ! amei demais, amei!
te amoo